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20/07/2014

Relato de parto {por: Iara Souto}


Pra essa domingo eu trouxe, o relato de parto da Iara Souto.
Nesse relato Iara, que já era mamãe da Malu, conta como encontrou pela primeira vez com a Bia, sua filha caçula.



Sobre o meu parto? Vamos lá...
Se eu fechar bem os olhos, ainda consigo sentir o cheirinho daquela manhã...

Pois bem, eu estava de 38 semanas (de acordo com a ultra, porém quando ela nasceu foi constatado que na verdade eu havia passado das 40 semanas), e ainda aguardava o meu tão sonhado parto normal.

No sábado a noite ( 31/05/14), senti uma leve pressão na vagina, corri até o banheiro,  a pressão aumentou e escorreu pelas pernas um pouco de líquido, na hora achei que era urina, que tinha escapado por conta da pressão que Bia fez .(achei que os movimentos de um possível "encaixe", colaboravam para o pressão que eu sentia)

Cheguei a comentar em um grupo de mamães que participo do desconforto, e questionei se estaria perdendo líquido.  Então, resolvi ligar para a obstetra, que por sua vez, me pediu para ficar atenta a qualquer novo sinal. 
Na segunda-feira, recebi uma mensagem da doutora, avisando que tinha mudado o dia do seu plantão no hospital, em vez de ser na  quinta, ela teria antecipado para a terça-feira. ( Deus é lindo no que faz)
No dia 03 de Julho, eu cheguei na maternidade ás 9:00h da manhã  (não consegui chegar mais cedo, por ter passado a madrugada com a Malu, minha filha mais velha, que estava gripada,),  demorei muito para ser atendida, parecia que tinha milhões de grávida na minha frente, rs. Quando enfim chegou a minha vez de ser atendida, foi constatado que os batimentos da Bia estavam diminuindo, além do fato de ela está laçada pelo cordão umbilical. Tá, eu sei que isso não é motivo pra se fazer cesárea, mas com a médica me falando que, existia um risco da minha bebê ter problemas no parto normal, não quis arriscar. Topei a cesárea!

Enquanto ela foi preparar a papelada para me internar, fiz inúmeras amizades com as gestantes da triagem, o  Fabrício (meu marido) corria para pegar minhas malas e a da Beatriz.
Sem contar que,o pneu do carro estourou,fiquei furiosa quando ele ligou contando, imaginei que não daria tempo dele chegar para ver o parto. Mas ele conseguiu, ele sempre consegue!


Subi para sala do pré-parto, fui junto com uma das amigas que fiz na triagem, que apelidei carinhosamente de Ninha. Chegando lá ficamos encantadas com as gestantes que víamos passar em trabalho de parto, prontas para fazerem o parto normal. A emoção da equipe, o carinho dos médicos. .. 
Já era mais ou menos umas 15:00h, ainda estávamos lá, esperando. Lembro que quando uma enfermeira chegou para nos colocar no soro, me olhou e disse: - É você que vai fazer cesárea? 
Eu abri o maior sorriso e respondi que sim, logo ela retrucou : - Você está muito feliz pra quem vai para a "faca" já já.
Assustada respondi baixinho para mim mesmo : - Vou conhecer a minha princesa, como não estaria feliz?

Chegou a minha vez!
Fui para sala de parto, enquanto a enfermeira preparava tudo, a anestesista já tinha feito sua parte, foi ai que eu percebi as minhas pernas molhadas e perguntei a enfermeira se ela havia colocado a sonda direito, ela respondeu que sim, pedi que ela olhasse novamente, foi ai que ela me contou que na verdade, eu estava perdendo líquido. 
Nessa hora enchi os olhos de água, comecei a agradecer a Deus por ele ser tão perfeito, tudo tinha dado certo, a troca de plantão da minha obstetra e agora, a minha bolsa havia rompido, parecia que pra me mostrar que eu estava ali na hora certa.

A cirurgia foi muito rápida, lá estavam a minha obstetra, Dr Valtenice e o Dr. Luciano, há essas alturas o Fabrício já estava lá ao meu lado, me fazendo cafuné.
Dra. Valtenice me alertou sobre uma pressão que eu sentiria, alegando que a Bia estava "muito alta". Pressãozinha nada! Que dor, fui no céu e voltei!


Ás 17:16 veio um chorinho, e escutei Dr Valtenice dizer : - Menina, eu faço o favor de tirar você da barriga da tua mãe e é assim que você me paga? 
A Bia tinha feito xixi nela, hahahaha. 
Primeiro eu vi aquele serzinho na minha frente, parecia que eu já há conhecia há anos, uma flor de tão linda... e chorei.
O olhar do Fabrício, olhar aquele que eu só tinha visto no nascimento da Malu, e que eu esperei ansiosamente para ver novamente, veio carregado!
Ele ainda conseguiu falar : - Muito obrigada amor!
Minha cirurgia foi rápida,terminou as 16:00h, segui para a bendita sala de observação, ao qual fui esquecida. Fiquei 4 horas lá, intermináveis, em que as enfermeiras mudaram de plantão e nem me avisaram,passavam de um lado para o outro, parecia que tinha apenas um pedaço de carne na maca.

Eu já estava gritando de dor, a anestesia já estava passando e eu não estava medicada, uma dor insuportável, foi quando uma alma muito bondosa, o novo anestesista que tinha entrado no plantão me escutou e me medicou. (Foi lindo, se eu encontrasse ele hoje na rua ficaria horas agradecendo por horas)
Cheguei no quarto por volta das 22:00h e finalmente pude ver a Biazinha, quando toquei nela, ela retribuiu abraçando a minha mão, como um reconhecimento. Foi lindo!

Vi também Fabrício e mainha, só ai eu pude descançar e aproveitar minha princesa, que logo mamou. 
No outro dia começou uma luta, mas dela não quero nem lembrar, pois dela, saímos vencedores!


Espero que tenham gostado, beijos meus e das minhas Marias."

Acabar um domingo assim, lendo sobre amor, tem coisa melhor?

Se você quer nos contar sobre o seu parto, manda o seu relato para o nosso e-mail, vamos adorar contar sua história aqui.

Um beijos em vocês!



03/07/2014

Relato de parto {Por: Karla Holanda}


Quando eu descobri que estava grávida, fui tomada por uma sensação incrível, eu despertei em mim um turbilhão de sentimentos, eu chamava de amor.
Defini o dia do "Positivo", como o dia mais feliz da minha vida.

Eu errei. O dia do nascimento dos meus filhos (mesmo com todos os pros), foi o melhor e mais especial dia. E sobre os sentimentos que eu sentia antes, eu ainda não sei definir, mas sei que amor mesmo, é o que eu senti quando olhei pra eles pela primeira vez.

Foi sabendo do potencial desse momento mágico, o parto, que eu pedi que as minhas leitoras me enviassem relatos de seus partos.
A Karla enviou cheia de carinho a historia do encontro com a sua filha, Alice.



"Bem, eu sempre quis ter parto normal, apesar de ser uma medrosa, principalmente no que diz respeito a dor, só de pensar em ser cortada e ficar cirurgiada, me dava nos nervos. Eu queria sair "nova" da sala de cirurgia pra poder cuidar da minha filha sem problemas. Comecei a sentir as primeiras contrações (leves) de 1h da manhã, lembro que estava acordada ainda com a minha mãe no quarto, costurando as últimas coisas do enxoval de Alice. Passei a madrugada relativamente bem, as contrações vinham a cada 30 minutos. Mas a ansiedade já começava a tomar conta de mim. Passei a manhã inteira organizando tudo e liguei para a minha médica, já perto do começo da tarde, por volta das 12h30. Para minha surpresa o celular dela só dava desligado, tentei inúmeras vezes a ligação mas não consegui. Tentei o número da secretaria e por ela fiquei sabendo que a minha obstetra estava em outra cidade e que só voltaria no domingo. Depois dessa notícia fiquei mais ansiosa ainda, pensando em quem faria o meu parto e consequentemente as minhas contrações aumentaram, foram passando para intervalos de 10min entre uma e outra. Chegamos no hospital no final da tarde, procuramos pelo médico obstetra de plantão e graças a Deus era um médico maravilhoso, o médico que fez o parto da minha mãe quando eu nasci. A partir daí fiquei mais tranquila, e entrei para a sala pra fazer o bendito EXAME DE TOQUE. Gente, que dor! Eu pedi pra que ele parasse, não estava aguentando. Estava com uma dilatação muito pequena, apesar de tantas horas já sentindo contrações; Tomei alguns remédios, não lembro bem o que, acho que era algo pra que adiantasse mais o trabalho de parto. Esperei por mais uma hora. Fiz novamente o exame de toque. Fui no céu e voltei. Eu só estava com 5 cm de dilatação. O médico me perguntou se eu gostaria de esperar mais tempo, pra que eu conseguisse a dilatação necessária teria que esperar por mais algumas boas horas. Fiquei com muito medo, Alice mudou de posição, uma posição não muito favorável para parto normal. Vocês já devem imaginar o que aconteceu, né? Acabei optando pela cesárea. O principal motivo foi o medo de que ela "passasse da hora de nascer" e ficar com alguma sequela por falta de oxigênio, enfim. Começaram os preparativos, NÃO PUDE ENTRAR COM NINGUÉM na sala de parto. Mainha e o pai dela ficaram muito preocupados, com aquela "cara de choro". Mas tratei de acalmar os dois dizendo que estava preparada para esse momento. Entrei sozinha, com a barriga e a coragem. Juro que não fiquei nervosa, minha ansiedade para ver o rostinho da minha filha era maior. Em um determinado momento da cirurgia comecei a me sentir um pouco mal, e avisei a enfermeira, acho que era a posição que eu estava, com a cabeça muito deitada. A enfermeira inclinou um pouco a minha cabeça e ficou tudo bem. Tic, tac, tic, tac. Não via a hora de ouvir o choro dela e saber se estava tudo ok. De repente, aquele chorinho lindo invadiu a sala. Minha emoção (encho os olhos de lágrima até hoje só de lembrar), foi a mil. A maior que já senti em toda minha vida, olhar pra ela, dar o beijinho, ver o seu rostinho de anjo. Gente, é indescritível a sensação. Levaram ela para os procedimentos comuns pós-nascimento e aí minha pressão baixou DEMAIS. Os médicos tiveram que correr pra me dar uma medicação e terminar a cesárea. Minha pressão baixou por causa do emocional. Mais uma ansiedade: terminar com aquela cirurgia e ir pro quarto segurar minha filha. Pareciam dias. Além de demorar ainda uns 40min pra finalizarem a cirurgia ainda tem aquela bendita 1h de observação deitada numa maca, olhando pro teto completamente sozinha. Eu estava surtando. Quando finalmente chegou a hora de sair de lá, comecei a sentir os efeitos da anestesia. Um frio, uma ariação. Não lembro de muita coisa, a não ser, claro, de painho me abraçando bêbado no quarto do hospital, emocionado. Passou um tempo e chegou meu anjo no quarto, a coisa mais linda de mainha. Pra amamentar pela primeira vez (colostro). Outras coisas aconteceram na maternidade, mas como o foco aqui é o momento do parto, vou terminar o meu relato aqui. Beijo, mamães e futuras mamães!"

Não sei vocês, mas eu sempre me emociono com relatos de parto, é muito amor. Lindo o da  Karla não é mesmo?

Mamães, venham partilhar conosco o relato de vocês, basta nos enviar um e-mail ou conversar com a gente na fanpage do nosso blog.


03/06/2014

Um outro olhar sobre os meus partos. {O renascimento do parto}


“Nós combinamos com o bebê que ele vai nascer sexta-feira às quatro da tarde? E se combinamos, ele respondeu pra gente que ele tem condições de nascer? Essa combinação é impossível de haver. Essa combinação não existe.” (Pediatra, Ricardo Chaves)
Tirei essa foto hoje. Sei que não se trata de uma imagem bonita e eu compreendo se você repudia a minha cicatriz. Eu também sinto o mesmo por ela.
Essa marca podia ser poética. Afinal de contas, meus filhos a tiveram como porta pra vida, foi por esse corte que Maria e José foram arrancados. ARRANCADOS!
Fotografei minha cicatriz e fiquei olhando, como pode o momento mais feliz da minha vida trazer como marca uma coisa tão horrenda? Suspirei.

Enfim eu consegui assistir ao filme o "Renascimento do parto". E me senti vazia. Enganada. E tantas coisas ruins sobre mim. 
Maturei a ideia, só assim pra tirar de mim uma responsabilidade que não me cabia. Obstetras que deveriam ser os maiores parceiros, viraram vilões da industria de partos. E eu fui uma das máquinas deles. Reconheço.

Quando eu engravidei de Maria, sonhei até o último instante com parto normal. Fui até as 40 semanas de espera. Tive até quase 4cm de dilatação (que me foi dito que não progrediria, o que nesse filme vi se tratar de mais uma manobra).
Até ser golpeada com a notícia da cesárea. Fui alertada sobre um possível sofrimento fetal. Foi jogado sobre mim a responsabilidade de decidir sobre a vida Maria. 
Eu estava sozinha numa sala quando ele me contou da redução de batimentos cardíacos e de como Maria seria imensa, que o parto demoraria horas, que não tinha remédio para induzir o parto (sim, num dos únicos hospitais particulares da cidade, de acordo com o DR. não havia remédio para induzir um parto). Olhando pra mim ele proferiu a pergunta que mais parecia um tiro: "Você ainda quer tentar, mesmo sabendo de tudo isso?".
Como eu poderia responder?
Chegando ao quarto, minha mãe (que pariu duas vezes de parto normal, sendo o meu parto feito por parteira) estava ao meu lado, mesmo carregada de experiência, também se rendeu a oferta de uma cesárea. Hoje compreendo, ela também não queria nos perder.
Eu não tinha conhecimento cientifico para decidir sobre o meu parto. Não foi justo.
Tive uma gravidez saudável, preparei o corpo e alma durante 40 semanas e terminei sendo cortada, ponteada e não tive a chance de ter um parto orgânico.
Maria nasceu saudável e ele não foi o herói dessa causa, eu fui a heroína, a melhor casa e fonte de saúde pra ela. Eu não precisava de uma cesárea. Eu precisava de tempo, apoio e informação.

Eis que veio José. Senti de novo minha chance de parir. Fui cozinhada em banho Maria por uma médica renomada. Médica essa que é referência no IMIP. (Para saber o que é o IMIP clique aqui.)
Sempre que o assunto era o meu parto, ela trocava de assunto, imediatamente.
Certo dia, ao vê-la com a bata do IMIP não contive o alívio e questionei ela sobre como eram os partos de lá, e na mesma frase contei sobre a vontade do parto normal.
Fui cortada na metade do raciocínio. Montou-se o circo do terror.
Me contou sobre ruptura uterina, do pouco tempo de um parto para outro, sobre a pressão ser muito baixa. E com voz firme me intimidou dizendo:  - Seu parto eu só faço cesárea, viu? Diga logo se topa, caso nãp paramos o pré-natal por aqui e eu indico a você um médico que faça, ou você procura por um.
Fiquei mais uma vez sem chão.
Li e reli sobre ruptura uterina no google, busquei em fóruns e artigos, esclarecimentos sobre o assunto. Mas, eu não teria o apoio de todos, como eu contestaria o que uma médica disse com uma base de dados do google?
Eu estava sozinha. Dentro de mim sempre ecoou uma voz que me mandava trocar de médica, buscar outra opinião, mas eu deveria?
Dei o passo tarde demais...
Depois de me desentender com essa Dra., fui recebida por outra, simpática, atenciosa e com voz de anjo. Fui bem acolhida.
Obviamente ela também descartou o parto normal e mesmo batendo palmas para os meus exames perfeitos, falava que o parto normal teria que ser descartado.
Eu deveria ter mudado de novo? Talvez. Mas eu já estava com 37 semanas, e não mudei.
Com 39 semanas José nasceu por meio de uma cesárea.
Em menos de um mês, José Luiz teve problemas respiratórios, e assim que a pediatra de plantão tomou ele nos braços, me perguntou: - Ele nasceu de cesárea como menos de 40 semanas, certo?
Chegava em mim a sequela da pressa, em mim não, pior ainda, nele. Talvez essa culpa eu carregue pra sempre.

Nas duas cirurgias colocaram sonda em mim. Mesmo com a minha mãe contestando sobre o pq da sonda. Perguntando se era realmente necessário, se eu não podia fazer xixi numa aparadeira.
Nas duas vezes que usei a sonda de urina, depois de retiradas, adquiri infecções sérias.

No parto de José eu fui dopada.  Estou digitando isso com os olhos cheios de lágrimas, tomados por revolta e tristeza.
Mesmo contra a minha vontade. Eu pedi diversas vezes a ela que não me dopasse no final do parto. Eu queria ficar acordada. Eu decidi ficar acordar. Falei isso ao meu marido também, ele viu meu pedido de consciência.
Mas, não fui respeitada. Dormi. E não me pergunte por quantas horas, eu não sei.
Despertei grogue. Algumas pessoas foram me visitar, falaram comigo e eu não tenho sequer uma lembrança disso.
Meu filho nasceu às 19:25h e só veio pra mim depois das 23:00h. Ele ainda não tinha sentido sequer o gostinho do meu colostro ou o meu cheirinho de mãe.

No parto de Maria tive os braços amarrados com tanta força, que fiquei com vergões roxos por mais de 15 dias, meu braço todo doía. Fiquei largada numa sala fria, sozinha. 
Me tremia toda sem saber que aquilo era uma reação da anestesia. Enfermeiras passeavam ao meu lado e quando eu interpelei uma sobre os temores, sem paciência ela respondeu: -É normal!

São tantas as atrocidades que envolvem esse mundo de partos. 
A violência obstetrícia que ecoa nas salas e findam nos silêncio das grávidas, que viram reféns das práticas cruéis, em busca do fim daquilo tudo e de ter em seus braços seus filhos.

A cada cena que eu assistia eu tinha vontade de chorar.
Nenhum dos meus filhos mamou em mim na sala de parto. Nenhum deles teve meu calor assim que nasceu. Foram aspirados, usaram colírio, tiveram seu cordão umbilical cortado imediatamente...
Foi tudo errado!

Uma das Obstetras do filme, falou algo sobre o bebê se sentir abandonado. Como é estressante e triste sair do seu canto predileto e até então única casa, por meio de uma cesárea. Cirurgia essa que não foi agendada com o bebê. Quem consultou ele sobre querer chegar naquele dia? Como precisar que ele estava pronto para aquilo? Como é cruel não ter a mamãe ou o papai por perto para afagar com amor o susto de conhecer o novo.

No filme eu também compreendi que tudo que foi me dito para antecipar e fazer a cesárea, tratava-se de "estratégias". Sim, estratégia para me convencer que seria a melhor saída.
A maioria das grávidas mostradas no filme, tiveram histórias parecidas com a minha.

Pra mim foi um filme revelador, eu renasci depois dele.
Me culpei por não ter mudado de médico quantas vezes fossem necessárias, por não ter estudado mais, ou ter me planejado melhor. 
Me entristeci por não ter parido de forma NORMAL meus dois rebentos, e por não ter sentido aquela dor, dor de amor.

Uma Doula fala no filme, sobre o medo que é imposto sobre a dor do parto normal. E ela alerta que a maioria das mulheres sofrem mais com os erros da equipe, com a crueldade dos procedimentos e não com a dor em si.
Barrigas são empurradas, médicos que sobem (sim, sobem!) em cima da barriga da parturiente, ocitocinas, cortes indesejados...

Eu não tive um parto vaginal. Fui refém da cesárea. 
Recomendo a todos que assistam ao filme "O renascimento do parto", que se permitam conhecer e que compreendam que nosso corpo foi feito para parir de forma natural.
Tenha ao seu lado um bom profissional, que você confie e acima de tudo sinta-se bem.
Se for o caso, mude, mude quantas vezes for preciso. Mas encontre quem traga ´para o seu filho a melhor e mais saudável opção de parto. 

Que fique claro que eu não sou contra a cesárea e muito menos contra a discriminação que as mães que passaram por esse procedimento sofrem, sendo elas tão enganadas e embriagadas de medo como eu. 
A cesárea salva milhares de vidas, quando necessária. Mas, queremos cesáreas se estivermos doentes, se elas realmente forem única solução. Se durante o trabalho de parto, o médico entenda e me comunique que é a melhor saída.

Eu não tenho planos para um terceiro filho. Financeiramente (principalmente) seria inviável. Mas, se as coisas tomassem outro rumo e eu pudesse receber em meu ventre outro fruto, eu lutaria pelo direito de deixar meu corpo e meu filho decidirem a hora.  Eu optaria de olhos fechados por deixar meu filho vir ao mundo, assim como eu cheguei, NORMALMENTE.

A mulher teve seu corpo arquitetado pra isso. A mulher é capaz de parir por si mesma, fomos feitas pra isso, simples.

   

19/03/2014

E veio Zé! {Relato do parto}

Um dia pro meu José chegar, o domingo nunca foi tão domingo. Chato!
nem a feijoada do meu pai ou a faxina de última hora fizeram com que aquele dia passasse rápido.
Que mormaço!

Antes de dormir, tomei um remédio de enjoo, não estava enjoada coisa nenhuma, mas eles me dão um sono medonho e eu sabia que precisava dormir, mesmo que de uma forma forçada.
Mas claro, eu não consegui. Ansiedade virou meu sobrenome, obviamente.
Levantei às seis da manhã, com um calor digno do inferno, me sentei na sala com um copo de sorvete de tapioca, com leite condensado e fiquei tentando não pensar na minha vida, eu só queria voltar a dormir e por isso, despertar a minha mente pra vida futura seria sacolejar os pensamentos. 
Cochilei mais um bocadinho. Como eu só podia comer até às 11h damanhã, pedi que mainha fizesse a carne (a famosa carne, rs!) de panela com batatas. 
Em casa passei pela missão impossível (concluída com êxito, rs!) de me depilar sozinha, ufa!
Ai, enfim, as horas começaram a correr. Enfrentamos um trânsito chato, num calor cruel. Eu só conseguia me concentrar no meu silêncio, ansiedade e um pouco de medo.

Chegamos no hospital, e por mais que seja um dos hospitais de "renome" em Recife, os funcionários em sua grande maioria são mal humorados, o que de cara já foi tirando meu último fio de paciência,
Chegamos ao quarto, eu, Marcelo, Maria e minha irmã, Carol. 
Só com o fim da tarde foi chegando o restante da família, menos mainha e painho. Confesso que isso foi me desestabilizando emocionalmente, assim como o fato de ter que dormir sem Maria por perto (por mais que eu soubesse que ela estaria super bem).
De 18:30h (mais ou menos) a enfermeira veio me buscar. Marcelo dessa vez iria assistir ao parto (no de Maria negaram a ele esse direito), o que de certa forma me deixaria mais tranquila (ou não hahaha). Quando a maca começou a andar, a sensação que eu tinha era de que ia eu entrar, mergulhar em outra vida, que aquela vida que eu tinha antes ia embora, sabe? Maria aboticou os olhos, o que me ferrou de vez.
Cai no choro. Ainda tentando controlar.
No elevador, desabei mesmo. Que agonia na barriga!

Entrei no bloco cirúrgico. A equipe médica um amor. A minha obstetra Dra. Cristina é uma pessoa linda, a anestesista superengraçada, o pediatra um louco do bem (hahahah).
Marcelo só pôde entrar depois da anestesia, que pra variar, não doeu nada. Se eu fosse acreditar e me agarrar no medo que colocam nessa anestesia, tinha morrido de véspera hahhaha.
Marcelo chegou e começou a cesariana, Com a certeza de que José chegaria em minutos, eu fechei os olhos pedindo paz e saúde pro meu menino. Como eu queria conhecer ele.

Um choro roquinho, José Luiz anunciava que tinha chegado.
Meu coração disparou, essa parte do encontro físico é absurdamente incrível. Eu não sabia se olhava pra ele ou pra Marcelo, buscando qualquer expressão facial que me entregasse que estava tudo bem.
Achei ele magrinho demais, e de fato eu tinha razão. Ele nasceu com 3.020kg e 49.5 cm. Maria veio 3.640 e 51cm,



Dr. Sérgio trouxe ele pra pertinho de mim, eu agradeci baixinho e dei boas vindas ao mais novo amor da minha vida. Ao Zé tão esperado por todo mundo.
Ele nasceu saudável,  às 19:25h do dia 10 de Março de 2014.



A cirurgia foi tranquila, eu me recuperei bem. Todas as enfermeiras riam da minha disposição, eu sentei de perna cruzada, tomei banho sozinha.
Dei os banhos de José, troquei, e pra variar consegui dar de mamar tranquilamente.
Por sinal, esse foi o único problema, o meu excesso de leite. Comecei a sentir algumas dores no seio, formaram-se algumas pedras, mas enfim, agora está tudo bem.

José é um bebê calmo, dorme pra caramba, dorme fazendo coco, tomando banho, mamando hahahah
Só dorme!
Cabeludinho e tem os olhos mais lindos que eu já vi. 
Nem preciso contar sobre essa paixão súbita que eu ando sentindo. O meu pretinho é a coisa mais linda e doce do mundo todo.
Maria, já chama ele de "meu neguinho".

Bom, no resumo é isso. Correu tudo bem e por aqui só rola amor.
Obrigada pelas energias emanadas, José é resultado disso tudo, dessa corrente linda que foi formada.

E veio Zé! 



 
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