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10/05/2015

Ninguém me disse... {#Diadamães}





Ninguém me contou.
Ninguém sequer me disse...
Mas ser mãe as vezes dói.
Somos levadas a exaustão.
E nem tudo está sob o nosso controle.

Eu queria enjoar. Queria sentir esse sintoma pra me sentir uma grávida de novela, aquilo me faria sentir a maternidade chegando. Mas na novela tudo é fácil, a começar pelo banheiro que está sempre perto, rs.

Parir. Sem problemas! Em dois espirros, quiçá em um, um parto normal sem manobras. Da violência obstetrícia então... nunca tinha ouvido falar. - A conheci da pior forma possível - 

Ninguém me alertou sobre o quanto a amamentação pode ser difícil e dolorida.
Ou o quanto eu podia sentir quando o peito não fosse mais uma fonte de alimento e acalento.

Não me falaram que eu sofreria com as comparações, ou que eu mesmo iria julgar outras mães.
Que ia me frustrar por achar que meu filha podia mais... cobrar deles a mesma desenvoltura de um outro bebê.

Não me contaram que eu não dormiria profundamente, que meu sono seria leve como pluma e que algumas vezes eu acordaria pra ver se eles estavam respirando.

Ninguém me disse que eu teria medo e que a maternidade não me traria uma segurança repentina.

Jamais me contaram sobre "os terríveis dois anos" ou sobre chorar diante de uma situação que eu não consegui controlar. 
Não mencionaram que o castigo iria doer mais em mim do que neles. 
E que os gritos que o cansaço me fazia dar, ecoaria na minha cabeça e só cessariam com um abraço, em braços pequenos, mas com grande significado.

Esqueceram de me avisar sobre a minha sala desorganizada, cheinha de brinquedos.
Ou que eu poderia fazer xixi - ou o número 2, rs - com platéia.
Que lavar meu cabelo seria uma missão de outro mundo.
Pior, que eu teria que comer escondida, pq estava quebrando as regras da boa alimentação.

Não me falaram que eles dominavam a TV. 

Quem esqueceu de me avisar que eu corria sérios riscos de me anular? Quase não me reencontrei.
Comecei a usar Johnson´s e não conseguia sair sem pensar em como estavam ou o que faziam.

Eu não sabia que ver eles crescendo me assustaria. Ninguém me preparou para a escola ou para a primeira dormida fora de casa.
Pq não me disseram que eu teria que dividir a atenção deles? Quem se negou a me dizer que o tempo voaria?

Ninguém, simplesmente ninguém, chegou a me contar, assim, com riqueza de detalhes, que a maternidade não era lá tão fácil.
E viver isso tudo, tamanho turbilhão, foi louco, muito louco. 

Mas consegui.
Sabe pq?

É que enjoar aflorava em mim a certeza do fruto. A frustração do parto foi cessada pela certeza da vida. A amamentação me fez alimento. Os julgamentos não tinham sentenças sobre o que sentia. As noites que mal dormi, valiam a pena com os sorrisos que me amanheciam. O medo me encorajou. Chorei. Errei na tentativa do acerto. Os brinquedos deram cor a sala. Os castigos serão compensadores. Comeremos escondidos das regras. E seremos pra sempre ligados por nossos laços, por esse amor surreal, incondicional - clichê mais lindo do mundo - e que pra cada 10 desafios maternos, nós teremos 100 resultados ternos de que tudo valeu a pena.

Feliz dia pra nós, mamães. 




12/04/2015

Sobre laqueadura... ou não.



Minha gente, quanto tempo!

Meses sem post, mas sempre penso um bocado nesse meu cantinho virtual. Cada novo "like" na nossa fanpage faz meu coração ficar com mais saudade ainda do blog. 

Tanta coisa aconteceu, rs. Pra começar, mudei de emprego, tô numa correria de adaptação, então, tenho muitas coisas pra colocar no eixo. Mas sei que, como sempre, vocês serão compreensivas e companheiras.

Bom, o tema do post de hoje é laqueadura - ligação da trompas -, mas antes que você achem que eu vou contar sobre o processo cirúrgico ou as opções de ligação, devo adiantar que não é nada disso. O post de hoje tem um tom bem pessoal, resolvi gritar aqui o meu grande desconforto com essa coisa de ter que escutar o tempo todo "você não ligou?".

Não gente, eu não fiz laqueadura e quer saber, nem sei se um dia devo fazer.

Quando engravidei de José pensei muito sobre isso. A verdade é que eu sempre me imaginei mãe de cinco, achava isso totalmente possível, por que não? 

Maria me mostrou que não era tão fácil assim, tanto do aspecto físico, psicológico e até do financeiro. Ai Zé veio. E bom, cai numa realidade ainda mais dura, a falta de tempo. Gente, dar conta de duas vidas né moleza não. Foi diante desse quadro "mãe de dois" que eu comecei a repensar a minha prole. É, talvez 5 crias fosse demais... mas por que não três? Quem sabe!
Eu ainda não realizei o meu grande sonho de parir normal e juro que isso é uma das coisas que me faz querer esperar, rs.

Devo dizer que, meu -possível-  terceiro filho não está nos nossos planos, não por esses próximos 10 anos, rs. Talvez daqui a dez anos, quando faltar cheiro de bebê na minha camisa, eu sinta vontade de trazer um novo rebento, montar um novo berço... Seja dita a verdade, eu não quero fechar a fábrica, nós só estamos fechados para balanço, para avaliar e viver a nossa família de agora.

Fomos agraciados com uma menina e um menino, eu pude beber dos dois mundos, como eu sempre quis.  Parece um presente muito maior do que eu mereço. Abracei os meus pacotes com todo o amor que existe nesse mundo, e sou muito feliz sendo a mãe da Maria e do José. E nesse momento, não sinto falta de mais um, mas e amanhã? Quem sabe...
Marcelo que sempre quis montar um time de futebol,  hoje concorda comigo, rs.

Ai vem a parte chata... os inconvenientes!
"ainda não ligou? Já já vem o terceiro!"

O que iria mudar na vida dos que me dizem isso, caso eu a parisse de novo? Quem cantaria pra eles dormirem ou compraria os trilhões de fraldas? Eu! Correto? Então, por que cargas dagua vocês precisam fazer essas perguntas tão cansativas?

Eu não liguei, não sei se vou ligar, não sei se vou engravidar novamente, nem quero saber de mais nada. O que eu preciso saber e tenho certeza, é que construí uma família linda e apaixonante, que por enquanto está completa, mas que amanhã, ou depois, pode ganhar mais um querido ser e qual o problema nisso?

A nossa fábrica está fechada sim, por opção!

*Devo salientar que não sou contra a ligadura, esse texto foi escrito tomando como base a minha opinião pessoal.

Beijocas em vocês e até a próxima!



26/01/2015

Um encontro comigo mesmo.



Pra quem não sabe eu tenho 26 anos. Apesar da pouca idade, eu já vivi um bocado. Ou melhor, eu me permiti viver um bocado. Aos 19 eu resolvi sair da zona de conforto, troquei a casa dos meus pais por um apartamento com mais duas amigas. Tive a difícil missão de administrar trabalho, faculdade, casa, balada e tudo o mais que uma vida de adulto exigia.  
Costumo dizer que eu já fui muitas Larissas. Fui uma criança falante, uma adolescente que falava através dos cabelos coloridos, uma universitária paqueradora e uma mãe teórica. Por mais que cada fase tenha exigido de mim uma performance diferente, no fundo no fundo, eu sempre tive a mesma essência. Eu nunca fugi de quem eu realmente era, por mais complexo que pareça ser fugir do seu eu. - Tá complicado isso, né? rs 
O que eu quero dizer na verdade, é que eu sabia bem quem eu era. E de uns tempos pra cá, parece que eu havia esquecido de tudo isso... Quem era eu afinal? 
Esse final de semana eu tive uma vontade de mim. Queria colocar um bikini, descer as escadas em silêncio, pegar um ônibus e ir a praia. Chegar lá cedinho, como eu sempre fiz, e pedir uma cerveja - mesmo que ainda fossem 7 da matina -, navegar com o celular pelos sites de fofocas, ou reler o livro do Duvivier. Tudo isso sem pressa. Escutando alguma música besta, ou que relaxasse a minha alma.  
Não queria me preocupar com o que eu almoçaria - pão com qualquer coisa, talvez -. Eu tomaria um banho e dormiria de cabelos molhados -mesmo que eu acordasse um leão, rs -. 
Tive vontade de marcar um encontro com Marcelo - meu marido -, só pra sentir frio na barriga, ir para um bar e ficar de papo bobo, em clima de paquera. E quem sabe o que viria noite a fora... 
Eu nem gosto de carnaval - apesar de morar em uma terra (Recife) que respira isso -, mas tive vontade de montar a minha programação, daquelas que você teria que ser onipresente pra poder curtir tudo.   
Ou seja, eu lembrei de como era ser eu. E de como eu sinto saudades de mim mesmo.  
Provavelmente alguém vai ler este post e achar que eu estou reclamando da minha vida, ou pior, reclamando da existência dos meus filhos. Mas eu peço calma. E se você insistir nessa besteira, te recomendo amar. 
Maria e José são - e sempre serão - meu combustível pra vida, mas de uns tempos pra cá, eu comecei a sentir a necessidade de reviver a minha vida. Sei que a maior culpada de não ter mergulhado no mundo pós filhos é minha, só e somente minha. 
Sei que eu preciso cortar meu cordão umbilical - sim, o meu! Afinal de contas os meninos são vitais -, aceitar as condições quando Maria optar passar o dia longe da minha saia ou quando Zé achar mais conforto em outro colo, quiçá em outro colchão, rs. E ultimamente tenho trabalhado muito isso em mim. Essa coisa de querer o ninho cheio, sempre, toda hora, o tempo todo.  
Marquei um encontro com as Larissas que fui e tentei compreender cada uma delas, tentei ver o que havia ficado delas em mim, e percebi que embora eu tenha atingido uma certa maturidade, e tenha uma bagagem muita maior e mais pesada, ainda carrego muito delas em mim. E desse encontro veio uma promessa - que talvez não seja cumprida energicamente agora, mas que será -, a promessa de nos encontrarmos mais vezes, de sairmos da rotina fralda/leite/colo e ir visitar atmosferas diferentes. Topamos viver, nem que seja uma vez ao mês, ou por 30 minutos.  

Vou ser eu, disso eu tenho certeza.  

Um beijo em quem não desistiu de si mesmo, e outro maior ainda pra quem vai tenta resgatar o seu eu.


29/09/2014

Por falar em saudade...




Cheguei ao trabalho já tagarelando, sempre chego contando minhas histórias. Enquanto minha colega de trabalho tomava seu café da manhã, eu contava um pouco da minha família. Falei sobre o tanto de gente que morava na mesma casa quando eu era criança, e de como meu avô abraçava essa mundaréu todo.

Cessamos o papo, trabalhei um pouco e como de costume, peguei minha agenda para anotar algumas coisas. Olhei fixamente para a data e pensei: Falta um mês para Maria “nascer” de Novo – tem post sobre isso amanhã -, e me vi com saudades.
Mas era uma saudade diferente, uma necessidade de alguém. Fiquei tentando entender meus sentimentos diante dessa data. E ai lembrei... Era dia dele. Hoje seu Eider -o vovô Braga - faria 83 anos de vida.

Quando constatei isso, entendi porque meu coração ficou nesse impasse. Que falta danada o negão faz.

Tem festa no céu! E dentro de mim chovem lembranças.
Ele era um homem festeiro, no final de semana tinha cheiro de Uísque, rs. Provavelmente hoje iríamos estar todos reunidos, comendo bolo com ele.

Vaidoso, andava com uma escovinha no bolso, para pentear seus poucos cabelos, que jamais desalinhavam. Seu desodorante tinha a mesma fragrância do seu perfume, Musk.
Acordava cedo, sentava em sua cadeira de balanço, toda feita de uma espécie de palha, com uma almofadinha no assento, agarravas-se no controle remoto e dominava a TV, era fiel a Globo, rs.
Seu café da manhã sempre tinha uma fruta, talvez uma mamão, um melão... Que ele mesmo limpava e cortava sentadinho a mesa, como num ritual diário. Lembro que ele pegava uma laranja pêra e dizia que a transformaria numa tangerina, cortava ela em quatro bagos e nos fazia acreditar em mágica.

O natal. Como ele amava as festas de final de ano. Reunia os netos para montar a árvore de natal, tradição da qual ele nunca abriu mão. No dia 24 ele organizava a ceia, cortava todos os pães, arrumava a tábua de frios – brigando comigo pelas azeitonas roubadas -, e queria todos lá. No ano novo, vestia sua camisa de botões branca, sua bermuda e sua sandália de couro, que logo depois deu vez a um tênis estilo futsal e uns meiões que iam além de sua canela, rs.

Quando a sua diabetes apertou, ele foi proibido de um tanto de coisas. Mas, tal qual a uma criança, roubava doces, rs. Tinha conta clandestina na padaria e comprava nosso silêncio com coxinhas, rs.
Sua dose de uísque que deveria ser única, era interminável, ganhava vez ou outra uma pingada a mais, que ele garantia ser fruto do gelo que derretia.

Uma de suas maiores paixões era o Sport Club do Recife, seu time de coração. Era louco por futebol, e se fosse futebol com cerveja, pronto. Tava feito o Combo do amor, rs.

Lembro do último dia dos pais em que ele estava conosco, eu tinha 13 anos. Pesquisei uma receita na internet, um doce que ele pudesse comer, encontrei uma musse de limão e preparei para ele. Devorou tudo, achando uma delícia. Resolvi provar e... que horror! Não sei se ele elogiou pra agradar, ou se seu lado formiga falou mais alto, rs.

- Estou com um nó na garganta e já nem controlo mais meu olho ensopado –

Na sua última semana de vida, ele já não tinha tanta consciência. No último domingo ele tomou seu banho, se arrumou todo e pediu que o colocassem no sofá, era dia de visitas. Nesse dia choveu muito e nem todo mundo conseguiu chegar lá. Ele voltou para o quarto, e essa foi sua última noite em casa.

Antes de ir à escola passei para vê-lo, conversei e pedi que ele agüentasse até os meus 15 anos, eu queria dançar a valsa com ele – Não tive festa de 15 anos, não fiz questão. Como seria sem ele? Não dava! -. Recebi uma afirmativa como resposta. Não vi mais meu avô. Quando voltei do Colégio encontrei minha mãe desesperada, limpando o quarto ensopado de sangue. Ele tinha sido socorrido e estava indo ao hospital. De lá ele não saiu mais vivo. Lembro bem de esse ter sido o pior dia da minha vida. Nessa noite eu dormi na cama dele, com a almofada dele, sentindo o cheirinho de musk, o cheirinho dele.

Sobrevivemos. Mas até hoje somos metade saudade.

Sinto tanto por ele não ter vivido mais, ele amava tanto essa vida. Mas quem pode ir contra as vontades que vem do céu?
Queria o aval dele sobre o meu casamento com um rubro-negro, mas que usa brincos, rs. Queria presenciar ele como bisavô dos meus rebentos. Escutar os tantos palavrões que ele soltava quando a bola batia na grade. Ou simplesmente, sentar lá fora com ele, chupando uma laranja mágica.
Guardo com carinho todas as nossas lembranças, e assim o sinto vivo dentro de mim.

Quando Maria nasceu, rezei e pedi que algum anjo dissesse a ele que ela havia chegado. Era a sua primeira bisneta. Sei que do céu ele nos mandou as melhores e maiores energias do mundo.

Termino esse post segurando meu choro, que já não é de tristeza e sim de saudade. Sei que ele vive em cada um de nossa família, enquanto tornamos firmes os laços que seu Eider sempre fez questão de fortalecer.

Vô, no céu não devem permitir uma dose de Uísque, então imagino o quanto o senhor deve ter resmungado. Mas é dia de festa, é teu dia. Que seu espírito seja luz! Amo você, sempre e pra sempre.

Em vocês um beijo e desculpe esse post carregado, eu precisava gritar essa ausência.



15/09/2014

A vida que eu quero pra mim.



De uma coisa eu sempre tive certeza, eu queria ser mãe. Minhas amigas que me acompanham desde o colegial, sabem bem disso. Esse instinto maternal sempre esteve em mim.
Dar frutos foi como me completar, me encontrar e finalmente me decidir sobre a vida que eu queria pra mim.

Apesar da pouca idade, a intensidade em qual vivi, me faz garantir boas experiências, eu saciei minha vontade de mundo, daquela coisa só eu. Foi ai que eu pensei no plural, queria meu espaço, minhas crias, um marido... queria a minha família. Pra chegar a essa conclusão foi preciso encontrar antes de tudo um parceiro. Marcelo veio, e com ele tudo se tornou palpável. Floresceu!

Comecei a viver a maternidade da forma que eu sempre quis, por inteiro.
Eu consegui passar por essa transição tranquilamente. A sexta-feira que antes era regada por cervejas, passou a ter como presença ilustra Peppa pig na TV. No sábado eu posso ser a rainha do castelo ou simplesmente brincar de esconde-esconde. Domingo é o dia da preguiça, rs. Todo mundo acorda, corre pra minha cama, com aquelas cara amassadinhas, ê delícia!

E sim, eu vivo feliz. Mas, ainda assim sofro uma constante cobrança – chata -, vez ou outra alguém acha que de me dizer “Você tem que viver!”. Que vida? A de antes.
Sou criticada por não conseguir “desgarrar” dos meus filhos, por não gostar de planejar ou realizar algo sem eles. Como se isso fosse o fim do mundo.
Claro que vez ou outra eu quero e busco o meu espaço. Como por exemplo, às horas em que sento em frente ao computador, para escrever para o blog, quando vou com a minha mãe ao centro da cidade, andar sem rumo, entrando em meio mundo de lojas cheias de quinquilharias, rs. Ou, simplesmente enquanto cozinho uma besteira só pra mim.
Ainda gosto de tomar uma cervejinha com as amigas, mesmo que seja na sala do meu apartamento, ou troco tudo isso por uma rodada de brigadeiros com fofocas – do bem, rs! -.
Também sei da necessidade como casal. Que vez ou outra é preciso respirar fora da atmosfera Johnsons baby. Namorar é preciso e lidar com tudo isso, talvez seja a parte mais difícil.

O que eu queria que as pessoas entendessem, é que eu mudei o rumo da minha vida, e mudei porque eu quis. Eu escolhi essa troca. E isso não me faz mal ou me deixa reclusa, meus filhos são as melhores companhias que eu podia ter, tenham certeza disso.

Sabe o que eu sempre penso? Eu preciso bebê-los enquanto são assim, miudinhos. Já já eles terão outra visão de mundo, necessidades e apegos. E eu vou ter que compreender/aceitar o curso da vida, assim como aconteceu comigo. “Logo chegarão as “melhores amigas (os)”, os namorados (as)” e eu vou ser a certeza do colo que aconchega ou da bronca que tenta dar rumo a tanta coisa nova. E quando essa fase chegar, eu vou sentir falta de tudo isso que eu vivi agora, pode escrever.
Por enquanto, deixa eu viver a balada das fraldas mesmo. Deixa eu gastar bons minutos pensando em que vestido Maria deve usar para ir a festa da coleguinha. Ou, se José vai se adaptar a temperatura da onde vamos. Deixem que eles durmam embaixo das minhas asas, ainda não estão em tempo de voarem do ninho mesmo.

Respeitem a minha decisão de abdicar dos shows, bares e festas. Respeitem a minha condição de não me sentir bem dormindo longe deles. E acima de tudo, me respeitem como mãe. Só e somente.
Não estou concorrendo à vaga de Madre Tereza de Calcutá, muito menos condenando as mães que conciliam a maternidade com uma vida social diferente da minha. Cada qual com suas fontes de felicidades. Temos que respeitar a condição de cada de mãe e pronto, todos seguimos bem.

Quer que eu te defina um final de semana bom pra mim? Vou citar esse que passou... Bom mesmo é quando na sexta-feira, mesmo depois de uma puta dor de estômago, você recebe os cuidados dos seus três amados. Quando no sábado você bate perna no centro, buscando todos os mimos para dar graça ao chá de fraldas da sua prima mais nova – Maria Flôr -, almoça na casa da mãe – aquele gostinho que só a comida de mainha tem – e depois vai a outro chá de fraldas – o da Clarinha -. No caminho você bate um papo-cabeça com a sua filha de 2 (dois) anos, sobre como os bebês moram na barriga. E chegando lá, se reúne com outras mamães só pra trocar experiências, ou desabafar os erros, rs. Quando no domingo, mesmo depois de uma mini faxina, você tem a felicidade de almoçar o que o seu marido preparou e enfrenta a maratona de conseguir arrumar todos, para uma festa de aniversário no fim da tarde – obviamente me atrasei, eu ainda não lido bem com a logística de ser mãe de dois, rs -, ainda rola um pit-stop no shopping – afinal de contas você não teve tempo de comprar o presente antes -. Na festinha – da querida Alice -, você ainda tem que driblar a Minnie porque sua filha está com medo, ou lidar com o fato do seu filho de 6 meses, ter puxado a bandeja do garçom derrubando todo o molho de mostarda que nela estava. E no fim de tudo, ter que cozinhar 4 (quatro) papinhas diferentes e ainda o almoço dos outros dois.

E mesmo que isso tudo seja cansativo – e é! – você dorme com a sensação de que o final de semana não podia ter sido melhor. Que você foi mãe em essência e na prática. A mãe que você sempre quis ser.
Agora quando me mandam viver, eu mentalizo sempre:  “mais do que eu vivo? Pra que?”, e sigo em frente com a certeza de que eu posso pecar por excesso, jamais por omissão. E fim de papo.

Um beijo em vocês.


05/09/2014

RUIM É O TEU PRECONCEITO!

Nos últimos dias as mídias ferveram com notícias sobre a intolerância racial. 

Enquanto uma “torcedora” chamava de macaco o goleiro do time rival, um casal sofria ofensas em uma rede social – Facebook -, simplesmente por serem um branco e uma negra.

A maioria sabe que chamar alguém de macaco é racismo, mas poucos sabem o porquê dessa palavra ter essa conotação. A história explica! Pra isso li e reli muitos artigos e acabei achando esse aqui (http://culti-e-popi.blogspot.com.br/2014/03/porque-comparar-negros-macacos-nao-e.html), separei um trecho pra contextualizar melhor para vocês.

“A teoria de Lamarck – junta a várias outras teorias similares – foram vitais para a elaboração do racismo cientifico. Bradley novamente nos explica que ao fazer parecer que “os não-europeus seriam mais macacos do quê humanos, essas diferentes teorias foram usadas para justificar a escravidão nas Américas e o colonialismo no resto do mundo”. – E esta foi a maneira que os Europeus se diferenciaram não só biologicamente mas também “culturalmente”, mantendo sua superioridade sobre os outros povos.”

Bom, resolvi trazer esse assunto para estampar nosso post de Sexta, depois de receber uma mensagem, onde uma mãe contava sobre as diversas vezes em que seus filhos, negros, foram expostos ao pré-conceito. Pra que vocês possam entender melhor, decidi postar - com a autorização dela - a mensagem que recebi.

“Sou Luciene, tenho 29 anos, casada com um negro e mãe de dois filhos negros.
Sempre ouvi piadinhas de péssimo gosto quando éramos ainda namorados. E não, isso não acabou com o tempo. Quando engravidei do meu primeiro filho – que hoje tem nove anos – ouvi muitas pessoas – até mesmo da família – dizer que eu rezasse para que ele “puxasse” o meu nariz.  Ou que eu tive muita sorte por ele ser um menino, assim ele não precisaria de um cabelo liso, era só manter o corte baixinho.  Quando ele nasceu, diziam “ó, acho que ele não vai ficar tão escurinho!”, em tom de alívio. Eram coisas de dar nojo!
Nada disso nunca tinha me afetado, até um dia em que meu filho chegou da escola, chorando e dizendo que queria ser branco, assim como eu. Meu Deus, mas meu filho é um moreno lindo!
Foi ai que eu descobri o motivo do pedido. Falavam do pai dele, que ele iria ser tão negro quanto o pai. Então, expliquei com muito carinho que Deus fez as pessoas diferentes mesmo, e que todos eram especiais. E ele começou a aceitar a sua cor.
Mas, não parou por ai...
Engravidei pela segunda vez, dessa vez de uma menina. As piadas prontas vieram. “Vai ter que levar pranchinha para a maternidade, o cabelo deve vir bem ruim!”. Meu Deus, como assim? Minha filha sequer nasceu e estão preocupados com o cabelo dela?
Hoje a Sarah tem dois anos e dez meses, escuto com grande freqüência coisas do tipo: “Tadinha, vai prender esse cabelo!”. “Você não vê a hora dela crescer para alisar esse cabelo, não é?”. “Olha, tem que relaxar o cabelo dessa criança, hein?”.
São tantas coisas idiotas que acho que vivo em outro mundo. O pré-conceito vem de todos os lados. Estamos mesmo no século XXI?
Fico imaginando a fase da escola, o que será que vou viver dessa vez?”

Filhos da Lu


Quando eu terminei de ler a mensagem da Lu, fiquei sem reação. Como as pessoas podem fazer comentários assim, ainda mais a uma criança, que provavelmente não entenderá e muito menos saberá se defender.
Comentei na fanpage a ideia do post, que seria abordar esse preconceito desenfreado e desumano, logo apareceram outras mães gritando suas angústias. E não eram mães de negros, apenas. O pré-conceito reflete em todas as cores. Algumas mulheres contaram casos em que elas foram alvos da discriminação. Como a Leonarda, que foi questionada se seria babá do seu próprio filho, já que eles não tinham a mesma cor. 
Filho da Leonarda

 E não foi só ela que passou por esse tipo de constrangimento a Tirza, mãe do Luca, contou pra gente uma historia parecida.

“Estava com o meu filho e os meus pais em uma loja, meu pai precisava de alguns equipamentos e meu filho de pilhas para colocar em alguns brinquedos. Entreguei meu filho a minha mãe e pedi uma chave de fenda para a atendente da loja, para abrir o compartimento das pilhas no brinquedo, e como eu sabia que tinha algumas peças pequenas e soltas dentro, não quis deixar a atendente abrir, até porque eu conseguiria fazer o serviço. Nesse momento – não sei se por raiva de não ter deixado que ela fizesse o trabalho ou por ignorância mesmo – ela me pergunta: “Tá cuidando tanto assim por ser a babá dele, não é?”“. Respondi que não, que era a mãe dele e que aqueles eram meus pais, logo, avós do Luca. Devolvi a chave de fendas, agradeci e disse não  precisar mais das pilhas, preferir comprar em outra loja.
O Luca parece muito com o pai dele, assim como também acho que lembre bastante o meu pai. Quem não conhece o Jairo pode até acreditar que ele seja filho do meu pai. Mas, mesmo assim, me revolta até hoje a falta de sensibilidade daquela mulher.”
Tirza e o seu filho
É absurdo que um país como o nosso, carregado de diferentes raças, cor, credo(...), ainda tenha essa postura preconceituosa.
Acho que o nosso problema é bem mais social -não só étnico -. Existe preconceito contra vários outros grupos, como os gordos, magros, gays, loiras e por ai vai. Vivemos a imposição da estética perfeita, da roupa do momento, da religião certa, do corpo sarado... Não se pode respeitar a diferença?

Não precisamos viver a ditadura da beleza, do cabelo liso ou loiro, ou estar vestindo determinada roupa pra ser aceita pela sociedade. De nada adianta seguir tendências da moda, se por dentro o que te nutre são os seus ideais sujos e feios. 

Comparar um negro a um macaco, visando igualar ele a um animal, no pior sentido da palavra, não torna você superior a nada. Como também discriminar alguém por ser branco demais. Ou pior, proibir o contato de uma criança com outra, por essa ser portadora de alguma deficiência – física ou mental -. Tudo isso é um ato preconceituoso e descabido.

Como mãe, tenho várias missões - meus ideais - criar meus filhos abertos ao diferente, a aceitar e abraçar o novo. 

Em casa, por exemplo, Maria é dona de madeixas cacheadas, enquanto eu tenho cabelos lisos. Todos nós temos fios pretos, enquanto a cabeleira dela ostenta fios dourados. As “brincadeiras” que questionavam o motivo do cabelo de Maria ser mais claro eram muitas – e são até hoje -, e eu sempre levei na esportiva com respostas como: “Ainda bem que é a cara do pai, se não era capaz de me pedirem exame de DNA!”.
Ensinei a Maria que ela era ainda mais especial por sua diferença, é como se ela tivesse sido escolhida para se destacar entre nós. Marcelo sempre exalta os cachinhos dela, dizendo como os adora e pedindo sempre que ela os mantenha.

Eu por exemplo, detestei por muitos anos o fato de ter uma boca grande, traço genético que herdei tanto do meu avô materno, que era negro, como do meu pai, que também é negro. Levei muitos apelidos por essa característica, mas logo a Jolie – atriz Angelina Jolie - apareceu e muitas mulheres pagaram por bocas como a minha. Mas a dela não - apesar de ser grande - era exagerada, só a minha.
Foi só então que eu percebi que somos belos pelo que somos. Cada traço nosso tem uma história por traz dele, a nossa genética estampa em nós os que nos antecederam. E por isso, tem um valor imensurável. Em vez de enxergar minha boca como algo imenso, passei a perceber o sorriso largo que eu tenho e que estrutura de forma única o meu rosto.  Esse era meu diferencial.

O grande problema do preconceito, é a falta de conhecimento.
Temos que aprender a respeitar e valorizar o próximo, as outras culturas e até a nós mesmos, a nossa história num todo.
Nós pais somos os maiores influenciadores dos nossos filhos, o exemplo parte da gente. As crianças são observadoras e tendem a nos imitar em ações. Então, é primordial que o exemplo do respeito parta de casa.
Ensinaremos aos nossos filhos, que as palavras têm um poder enorme e quando são usadas de forma errada, podem machucar as pessoas - e alguns não cicatrizam mais -. Ensinar a eles a respeitar a diversidade, é criar um filho despido de preconceito e pronto para o mundo, com um ângulo positivo e cheio de amor.

Viva ao negro, branco, preto, azul, rosa. Viva o magro, gordo, a barriga sarada e a barriguinha. Viva o diferente. Afinal de contas, que chato seria se todos nós fossemos iguais, não é mesmo?

Ruim mesmo é o teu preconceito! 

Respeito as diferenças e amo esse país miscigenado.

NÓS DO BLOG UMA MÃE CONTA, SOMOS CONTRA O PRECONCEITO E ABRAÇAMOS A DIVERSIDADE. <3

 Um beijo em vocês e até a próxima!







06/08/2014

Sobre os sentimentos da semana.



Minha cabeça vem trabalhando a mil durante essa semana, embora José esteja dormindo bem, uma noite toda, eu ando insone. Mesmo tentando "fazer de conta" que não, eu ando preocupada. O motivo? Dia 11, próxima segunda, volto a ter hora pra tudo, chegou a hora de voltar para o trabalho. (ai meu coração!)

Já ouvi diversos discursos, uns que me acolhem, outros não. Tem quem esbraveje que as mães de hoje em dia trabalham mesmo, e que fazer disso um drama Mexicano é demais.
Mania tamanha de querer universalizar sentimentos.
Tem quem me condene por ter "me dedicado mais a Maria", quem ache ele pequeno demais "para viver sem a mãe"... 

Sou dessas mães que costuma valorizar cada coisinha nova, um gritinho diferente, uma expressão engraçada, evolução motora... cada aprendizado dos meus pequenos para mim, é como ganhar um Nobel, é motivo de orgulho e felicidade.
Vou sentir muito, todos os dias, por não respirar eles 24h, por ter que sair de casa às 6:00h e só voltar quase pelas 19h, mas é preciso, fazer o que?

E nesse turbilhão de sentimentos, chegam os conselhos das mães do novo milênio, que me questionam, ou melhor, falam por mim, os textos englobam frases que dizer que eu vou recuperar "a minha vida", voltar para casa com uma saudade boa, que o trabalho vai ser minha válvula de escape.

Sinto muito decepcioná-las, mas eu não perdi a minha vida para ter que recupera-la, saudade para mim nunca foi um sentimento bom, nunca soube lidar com a ausência, muito menos quando trata-se dos meus miudinhos. E a melhor válvula de escape do mundo, é estar deitada na minha cama (na pontinha, quase caindo) com Maria, José e Marcelo.

Carrego dentro de mim agora, a maior sensação de insegurança que já tive, uns tantos medos, uma saudade já grande e uma ansiedade de êxito, de querer saber se vamos ficar bem.
São tentas perguntas que me faço, cobranças incessantes, ecoa nos meus pensamentos a pior das questões: "Vou dar conta de tudo? 

Essa coisa de sofrer de véspera é cruel, não sei se é característica do meu signo, se é invenção do meu eu, só sei que maltrata, rs.

Fico olhando para José (que está devorando um de seus mordedores no momento) e pensando, vamos conseguir, filho?
Olho para Maria (que ainda dorme) e a pergunta se repete...
Lidar com o cansaço, com as necessidades deles, a falta de mim e tudo mais que uma família demanda, é uma missão imensa, que eu realmente não sei como vou abraçar.
Mas eu vou, eu devo ir. E eu tenho uma convicção em mim, funciona como uma filosofia de vida, rs. "Mães sempre conseguem!"
Não acho que vai ser fácil, talvez eu nunca tenha tido um peso tão grande sobre mim, afinal de contas, "sou gestora" de duas vidas, e esse é o maior e mais difícil emprego do mundo, tenho certeza.

Enquanto esses últimos 5 dias passam (arrastados, por favor!), eu tento fungar o cangote deles, curtir cada minutinho de afago e carinho, na certeza que eles vão entender que a mamãe sai, demora, mas que essa labuta e ausência toda, é só e somente por eles.
Cabe a mim, buscar equilíbrio, energias e focar no amor - amor esse que mais na frente, vai chegar camuflado no reconhecimento de Maria e José - E eu sei que vai vale a pena!

Bom, tenho outros posts "quase no ponto", sobre a rotina de adaptação de José, o especial de dia dos pais que como eu contei na página, foi escrito por Marcelo, entre tantos outros rascunhos. Obviamente que meu tempo agora vai ser reduzido, as postagens podem demorar mais a chegar. Vou contar com o carinho e a paciência de vocês.

Devo adiantar que, uma das postagens semi-pronta, vou finalizar na segunda, onde vou contar como sobrevivi ao meu primeiro dia na volta ao trabalho.

Continuem acompanhando a nossa fan page do Facebook, que por lá tá rolando um especial de Dia dos pais, carregado de amor. Beleza?

Um beijo em vocês!








 
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